Tome of the Years – a D&D 5e supplement

I recently uploaded my first contribution to Dungeon Masters’ Guild: the Tome of the Years.

tome of the years cover

In the Tome of the Years players and dungeon masters will find rules on aging, rules for young characters, level 0 characters, and other rules concerning the passing of the years.

Click here in order to acquire the Tome of the Years. It is a “pay what you want” product.

After that, tell me what are your thoughts on it, and what you would like to see in another supplement from Tragos Games.

 


 

Eu recentemente disponibilizei minha primeira contribuição para o Dungeon Masters’ Guild: o Tome of the Years (Tomo dos Anos).

Em Tome of the Years jogadores e mestres encontrarão regras sobre envelhecimento, regras para personagens jovens, personagens de nível 0, e outras regras sobre a passagem dos anos.

Clique aqui para adquirir o Tome of the Years. É um produto “pague o quanto quiser”.

Depois disso, me diga o que achou dele, e o que você gostaria de ver em outro suplemento da Tragos Games.

 

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O dia do orgulho nerd e um balanço da Tragos Games

Nesse dia do orgulho nerd eu gostaria de trazer algumas notícias sobre o andamento dos projetos da Tragos Games.

Gamma Dragon: o capítulo 1 – Os Sobreviventes – e o capítulo 2 – As Aventuras – já estão prontos. Falta apenas o capítulo 3 – O Mestre. Quando todo o texto estiver finalizado, verei o que será do livro. Talvez ocorra um financiamento coletivo, mas é certo que ele sairá em pdf – talvez de graça, talvez não.

Abismos & Aberrrações: meu projeto mais antigo e instável, atualmente penso em fazer dele um cenário para Dungeons & Dragons (5ª edição). Porém, para fazê-lo eu precisarei pesquisar a filosofia de Nietzsche tão a fundo que ele merecia se tornar uma tese de doutorado. Como isso é improvável, ele deve demorar para sair da escuridão.

Tragoedia 2ª edição: esse ainda é uma incógnita para mim. Reformular o sistema ou adaptar para D&D? A segunda opção parece bem difícil, então eu devo ficar com a primeira. Porém, o mais importante é expandir e aprofundar o cenário. Quem sabe, nas férias.

Outros jogos: eu quero muito fazer mais jogos freeform, revitalizar alguns projetos antigos, como o Músicka, e estou pensando se levo a cabo o Dragonjammer ou se apenas publico algumas coisas sobre como jogar Spelljammer na 5ª edição.  Também queria escrever mais sobre os jogos que eu gosto – D&D, Blood & Honor, Risus, talvez até 3D&T.

Além disso, o blog passou por uma pequena reorganização, com novas categorias e tags.

Por fim, publicarei aqui uma espécie de poema que eu escrevi para esse dia do orgulho nerd.

*   *   *

Sim, eu sou um nerd.
Sim, eu gosto de histórias sobre cavaleiros e magos,
sobre espaçonaves e dragões,
sobre herois e vilões.

Sim, eu gosto de me sentar com meus amigos,
rolar dados e dar risadas
e criar histórias de aventura.

Sim, eu gosto de ler, de ver, de imaginar
Homens capazes de voar, mulheres capazes de lutar.

Sim, eu gosto de música, cinema, literatura,
mas também de quadrinhos, jogos, brinquedos.

Dou valor à toda arte,
mas não quero só ver e ouvir,
quero fazer e criar.

E eu também dou valor à ciência e à filosofia,
gosto de aprender, de entender, de saber,
não me apego a superstições e preconceitos,
nem a fórmulas prontas ou teorias dogmáticas.

Eu quero saber a resposta
à pergunta da vida, do universo e tudo mais.

Quem disse que eu não gosto de esportes?
Artes marciais, futebol, atletismo,
posso não ser um craque, mas tenho prazer nisso tudo.

Tudo bem, eu não sou perfeito.

Não sei dançar, não sei paquerar,
mas não deixo de tentar.
E se tento o faço com todo o meu ser,
mesmo que ele seja tímido, frágil, carente,
e todo mundo me veja como sou por um instante.

Sim, eu sou isso tudo,
e quero ser cada vez mais.

Acho que ser nerd é isso,
é ver maravilhado, com olhos de criança,
tudo o que foi, o que é e o que será.

É não se deixar convencer, conformar, consumir,
não se deixar abater, apequenar, anular,
mesmo que o mundo não seja essa maravilha toda,
mesmo que as histórias da vida “real”
não sejam sempre heroicas e fantásticas,
mesmo que as garotas (ou garotos)
de quem gosto não me queiram,
mesmo que eu, no fim, não seja um grande gênio
nem da ficção, nem da ciência, nem da música, nem da filosofia
e tudo pra mim não passe de um indecifrável 42.

* * *

Feliz dia do orgulho nerd!

Aventuras Episódicas – Ep. 2 – Pacto Demoníaco

Hoje trago a vocês a segunda aventura de minha campanha de D&D 5E (veja a primeira aventura aqui). A aventura é adequada a personagens de 2º nível, mas considere mudar a quantidade de criaturas dependendo da quantidade de personagens dos jogadores.

Pacto Demoníaco

Os personagens estão numa estrada em meio a campos quando são atacados por 2 gnolls. Em meio ao combate, receberão a ajuda de Ander, um jovem ranger (faça o download de sua ficha aqui), filho do prefeito da vila de Grassfield, Victor Andor. Ele os levará à vila, e contará que as coisas estão difíceis, porque os gnolls estão atacando, assaltando e roubando gado há alguns meses. A maioria dos moradores vive do campo e estão inseguros. O prefeito não consegue fazer muito, porque a maioria dos caçadores já morreu e o Reino não enviou ajuda ainda, e além disso o chefe de uma família rival, Alexander Bredor, que há gerações luta para alcançar o poder, está tentando usar isso para derrubar o prefeito.

A população da vila segue sua rotina, mas todos estão preocupados, abatidos, e ressentidos com o Reino e com o prefeito.

Background

Alexander Bredor, líder da família rival do prefeito de Grassfield, fez um acordo com os gnolls da região. Ele facilitará seus ataques a fim de que a popularidade de seu rival seja prejudicada, até que o povo decida que ele não é mais um bom líder. Quando Bredor conseguir alcançar o poder, ele fará com que os ataques diminuam, mas manterá os gnolls por perto para ter uma forma de manter seu poder. O líder dos gnolls, porém, tem outro objetivo: ele está acumulando sacrifícios para realizar o ritual que o transformará em um fang of yeenoghu, um poderoso servo do demônio criador dos gnolls.

Construções importantes em Grassfield

Taverna: The Wandering Wolf. O nome da taverna vem de uma profecia antiga da região: “Quando as bestas do abismo trouxerem a fome, convocadas por um homem de renome, o heroi não vestirá armadura brilhante, mas os pelos cinzentos de um lobo viandante”. O taverneiro é Lucius, um velho de cabelos e barba cinzentos que faz tudo bem devagar, e ainda roda o negócio porque não tem mulher nem filhos. Ele é ajudado por uma jovem franzina, Joanna, que está muito abatida porque perdeu o irmão mais velho num ataque gnoll.

Salão Comunal: perto da praça central, esse casarão abriga o escritório do prefeito e a sala do conselho. O prefeito está ocupado ouvindo pessoas, mas terá um tempo para os PCs.

Templo de Ianna, deusa da fertilidade: o templo está cheio de fiéis pedindo proteção e fertilidade. Todos estão bem exacerbados e o sacerdote local está ocupado acalmando-os.

Mercado: todos os agricultores vendem seus produtos aqui de manhã, e o único que fica o dia todo é Rolf, um vendedor de todo tipo de coisa (apenas itens comuns e fáceis de se encontrar), que está tendo dificuldades.

Casa dos Andor (família do prefeito): a família do prefeito está aqui, e há crianças jogando pedras na casa.

Casa dos Bredor (família rival): há algumas pessoas conversando com a família do patriarca, falando sobre os problemas da vila.

Acontecimentos

Dia 1: uma fazenda é atacada por alguns gnolls. Ao invés de apenas roubar, eles agora estão raptando as moças. Caso algum consiga fugir com uma moça, deixará para trás um bilhete pedindo 50 GP (equivalente a cinco vacas ou um cavalo de tração) por ela. A família da moça pede o ouro ao prefeito, mas ele diz ter apenas 30 GP. Ele ordena os últimos caçadores a buscar a moça. Os PCs vão junto ao covil dos gnolls, liderados pelo jovem ranger.

1: esta sala está vazia. Porém, um buraco numa parede (1b) permite que um gnoll ataque à distância de surpresa ou salte sobre os intrusos. Para chegar a essa abertura é preciso sair dessa sala e dar a volta por um caminho que sobe e também dá numa saída secreta (caso os personagens investiguem o entorno do covil, podem encontrar essa passagem).

2: nesta sala estão as mulheres e crianças gnolls, além de dois gnolls fazendo guarda.

3: esta é a sala do líder gnoll, mas ele não está aqui, e dois gnolls fazem guarda de seu tesouro (um lantern of revealing, um potion of animal friendship, e um 2nd level scroll da magia Moonbeam).

4: este é o templo devotado ao demônio Yeenoghu. O líder gnoll está aqui, e tem como reféns algumas moças que ele raptou e que ele planeja sacrificar. O líder gnoll fugirá quando estiver muito ferido, e todos acreditarão que a ameaça acabou.

Covil Gnoll

Dia 2: os gnolls atacam a vila. Os PCs ajudam, e os gnolls vão embora depois de matar algumas pessoas (os PCs podem perceber que eles não atacam os membros da família Bredor, e que os Bredor também não se envolvem muito). O prefeito é deposto e Alexander Bredor assume. Ele ordena que um homem leal a ele vá negociar com o líder gnoll. Caso os PCs o sigam, verão eles conversando sobre o acordo. O ranger também terá seguido eles, e os surpreenderá, mas eles dirão que matarão sua família e que ele não pode dizer nada e ainda tem que apoiar o novo prefeito. Caso os PCs façam alguma coisa, duas hienas gigantes atacam e o líder gnoll foge. O homem de confiança do prefeito novo volta e anuncia que os gnolls ficarão com algumas das fazendas e receberão impostos para não atacarem, e o prefeito diz que isso é o melhor até que o reino envie ajuda (na verdade ele mandou uma mensagem cancelando o pedido de ajuda). Caso os PCs o denunciem, ninguém acredita e o ranger os desmente.

Dia 3: o líder gnoll vai até a cidade, diferente (ele agora é um fang of yeenoghu). Ele exige o pagamento que o prefeito lhe prometeu, e acaba revelando o acordo a todos. Ele terminou seu ritual e está muito poderoso. Ele invoca demônios (três dretch), e ataca. Eles está poderoso demais para os PCs, mas um grande lobo cinzento surge e o enfrenta. Os PCs enfrentam os demônios. O lobo vence o gnoll e vai embora, muito ferido.

Dia 4: o taverneiro Lucius sumiu (pois ele é o lobo cinzento da profecia). Os PCs recebem do prefeito Victor Andor, que teve o cargo restituído, o tesouro de Alexander Bredor, que foi condenado à morte por sua traição (o tesouro consiste em 2.000 CP, 500 SP, e 10 gemas de 10 GP cada).

Wandering Wolf (Medium Beast, Neutral Good)

Armor Class 15 (natural armor).

Hit Points 150.

Speed 60 ft.

STR 20 (+5) DEX 16 (+3), CON 18 (+4), INT 12 (+1), WIS 16 (+3), CHA 10 (0).

Skills Perception +6, Stealth +6.

Passive Perception 16.

Languages –

Challenge 4 (1.100 XP)

Keen Hearing and Smell. The wolf has advantage on Wisdom (Perception) checks that rely on hearing or smell.

Pack Tactics. The wolf has advantage on attack rolls against a creature if at least one of the wolf’s allies is within 5 feet of the creature and the ally isn’t incapacitated.

Actions

Bite. Melee Weapon Attack: +6 to hit, reach 5 ft., one target. Hit: 14 (2d8 + 5) piercing damage. If the target is a creature, it must succeed on a DC 15 Strength saving throw or be knocked prone.

Aventuras Episódicas – Ep. 1 – O Portão dos Anões

Logo narrarei minha primeira aventura de Dungeons and Dragons 5E. Eu escolhi começar de forma fácil, narrando inicialmente aventuras episódicas, ou seja, sem necessariamente formar uma campanha em torno de um grande objetivo, e cortando algumas partes menos importantes da narração, transformando a aventura num episódio de Caverna do Dragão – os personagens já começam em ação e se deparam com um conflito simples. Vou começar com desafios e monstros mais simples, para que todos (inclusive eu) se habituem ao sistema. E também vou criar todas as aventuras usando as tabelas aleatórias do DMG, tornando-as mais espontâneas e criativas.

Hoje trago a vocês o primeiro episódio – “O Portão dos Anões”, para 3 personagens de 1º nível (mude a quantidade de inimigos para que ela fique mais apropriada a um grupo maior ou menor). A ficha do NPC Thoradin pode ser encontrada aqui. Eu criei também três personagens prontos: um Fighter, um Druid e um Rogue, todos humanos.

O Portão dos Anões

O Portão dos Anões

Os personagens estão andando numa estrada em meio a colinas, estrada que é cortada por um forte-portão. Ele está em ruínas, e está aberto. Porém, quando eles entram, caem por uma rachadura e escorregam até um poço.

1: O poço é octogonal, está cheio e fica no meio de um salão octogonal de cerca de 13 metros de diâmetro. Há estátuas de guerreiros anões, quebradas e pichadas, e o teto tem apenas 2 metros de altura. Há 4 saídas.

A saída leste leva a um corredor de cerca de 16 metros de comprimento, que dá nas celas. Antes disso, há corredores ao norte e ao sul que dão acesso às escadas das torres (a do norte, 7, dá num alçapão com uma corrente velha e um cadeado improvisado (DC 10 para destrancar, 10 de dano contundente para quebrar), e a do sul, 8, está bloqueada por destroços) e aos alojamentos (3) e enfermaria (5).

A saída oeste é como a leste, mas as grades estão destrancadas, e dão acesso a um túnel de cerca de 27 metros que termina numa parede lisa, mas diferente da do túnel (DC 20 para perceber que é mais recente, mas ainda assim bastante antiga, anão tem vantagem). As escadas 6 e 9 estão bloqueadas por destroços.

A saída sul leva a um corredor de cerca de 14 metros, que dá acesso às escadas 8 e 9, e à enfermaria (5) e à sala de guerra (4).

A saída norte leva a um corredor de 15 metros, que dá acesso aos alojamentos (3), ao refeitório (2), às escadas 6 e 7 e a três portas, que dão acesso à sala do chefe da guarda (12), à capela (13) e ao armorial (14).

Os 4 corredores entre as escadas são patrulhados por goblins solitários.

2: ambas as portas de madeira estão fechadas, mas destrancadas. Dentro, ainda restam as longas mesas de pedra e os bancos de pedra. Os armários de comida estão cheios de coisas nojentas e um swarm of rats.

3: ambas as portas de madeira estão fechadas, mas destrancadas. Dentro, as 24 camas de pedra de tamanho anão continuam intactas. Lá 3 goblins estão dormindo (a percepção passiva deles é 4), a não ser que tenham sido alertados (aí a percepção passiva é 9).

4: ambas as portas de madeira estão fechadas, mas destrancadas. Dentro, uma lousa de pedra virada para uma mesa octogonal larga com 24 bancos. 3 goblins estão fazendo um plano de ataque a uma vila próxima.

5: ambas as portas de madeira estão fechadas, mas destrancadas. Dentro, seis camas e armários de suprimentos médicos trancados com cadeados anões (DC 20 para destrancar, 20 de dano contundente para quebrar). Dentro deles, muitos remédios vencidos e outros itens, 1x Keoghtom’s ointment e 1x Potion of resistance.

7: dois lobos guardam a saída. Caso se firam muito, eles fugirão para o mais longe possível dos personagens. O barulho dos lobos alertará os quatro goblins que fazem a ronda, trazendo dois deles de cada vez.

10: uma grade de metal trancada com uma corrente velha e um cadeado improvisado (DC 10 para destrancar, 10 de dano contundente para quebrar) impede a passagem. Do outro lado, seis celas de 3×3, todas com grades trancadas por cadeados improvisados (DC 10 para destrancar, 10 de dano contundente para quebrar).

10A: vazia.

10B: aqui está preso o anão Thoradin, do clã Loderr. Ele se apresenta como um clérigo de Uhr e historiador e pedirá ajuda aos personagens. Caso eles o soltem, ele explicará que estava aqui investigando esse que é o portão dos anões, fortaleza de fronteira de seu antigo reino, que foi abandonado quando estourou a guerra contra os dragões, nas montanhas, que destruiu o reino e quase extinguiu os anões. Ele diz que foi capturado por goblins e que em algum lugar fica uma arma lendária que poderá ajudá-los a sair dali e, ao mesmo tempo, a recuperar o forte para os anões e eliminar os goblins, que planejam um ataque.

10C: esqueleto de humanoide (DC 15 para determinar que é um hobgoblin).

10D: vazia.

10E: vazia.

10F: quatro ratos gigantes alimentam-se do cadáver de um anão. Eles saem da cela e atacam quando veem os personagens.

12: a porta de metal está aberta. Lá dentro está o chefe dos goblins e seu companheiro lobo. Assim que alguém entra, uma armadilha derruba uma rede sobre quem entrar primeiro (Saving throw de destreza para evitar, DC 15, se for enredado ganha a condição restrained, e precisa de destreza DC 10 para se soltar). O goblin estará no fundo da sala e atacará com a javelin quem estiver enredado. O lobo espreita perto da porta, para atacar quem não estiver enredado. Caso fiquem muito feridos, ambos tentarão fugir em direção à saída. Na sala há um baú trancado (DC 10) com o tesouro acumulado (1,700 CP; 1,500 SP; 90 GP; 7x 10 GP gems). O chefe goblin tem as todas as chaves do forte. Caso seja pego antes de fugir, ele pode negociar sua vida pelo tesouro.

13: a porta de metal está aberta, e dentro se vê uma capela do deus dos anões, Uhr, o mais dessecrada e destruída que os goblins conseguiram. Ela está pichada, suja, as estátuas estão quebradas. Há símbolos desenhados que representam o deus dos goblins, Gob (um olho).

14: a porta de metal tem o relevo de um martelo de guerra e está trancada (DC 20 para destrancar). Dentro há lugares para colocar armas de todos os tipos, todos vazios, e na estátua de um poderoso guerreiro anão, está o martelo de guerra do portão dos anões (+2 de dano contra não anões, só funciona se usado por um anão, não pode ser retirado do forte).

O XP de todos os monstros desta aventura totaliza 900.

O futuro próximo da Tragos Games

Neste post eu venho comunicar que, por um tempo, eu não mais produzirei RPGs originais, mas apenas material para a 5ª edição de D&D, que está me empolgando bastante e que eu pretendo jogar com um novo grupo. Essa decisão se baseou em diversas razões – principalmente pouco tempo e motivação para criar novos RPGs, e muita motivação para jogar Dungeons & Dragons nesta que é a primeira edição do jogo que me agrada bastante! Quando a hora chegar, eu voltarei a me dedicar à segunda edição de Tragoedia. Até lá, eu postarei artigos com regras alternativas, cenários e outros materiais para a quinta edição. Até o ano que vem então!

“O que é RPG?” Uma pergunta com muitas respostas

Recentemente, um artigo do game designer John Wick (Chess is not a RPG) reacendeu um debate antigo acerca do que é e do que não é RPG. Nesse artigo eu vou tentar usar minhas habilidades em filosofia, não para afirmar ou negar a resposta dada por Wick à pergunta “o que é RPG?”, nem para dar outra resposta à essa pergunta, mas para mostrar que há muitas respostas possíveis, mesmo que eles se excluam ou se contradigam.

Se há uma coisa que eu aprendi com a filosofia, especialmente com Wittgenstein, é que é impossível dar uma resposta definitiva a uma pergunta do tipo “o que é x?”. Ou seja, definições não são possíveis. Não é possível responder “o que é RPG?” de forma definitiva. Isso porque qualquer resposta vai ou a) acabar excluindo algum caso e, portanto, sendo injusta ou b) tentar incluir todo e qualquer caso, tornando-se uma definição em que qualquer coisa se encaixe e, portanto, sendo vazia.

No seu artigo, Wick apresenta uma determinada definição de RPG e, segundo ele, o primeiro e maior RPG de todos os tempos, Dungeons & Dragons, não se encaixa nessa definição. Ou seja, D&D não é um RPG. Isso soou absurdo para muitos RPGistas, e eles não deixam de ter razão. A definição de Wick, portanto, é injusta.

Por que, para o designer, D&D (ou, sendo mais específico, as primeiras quatro edições do jogo) não é um RPG? Porque, para ele, é possível jogar D&D com sucesso sem interpretar (“interpretar” no sentido do RPG, ou seja, não atuar, como no teatro, mas tomar decisões visando a narrativa, e não as regras do jogo). Ou seja, as regras de D&D não são um meio adequado para a narrativa, pois não a incentivam e, mais do que isso, a restringem.

Mas se a definição de J. W. é injusta, onde está o problema dela? Vamos dar uma olhada na forma como o próprio autor a apresenta:

roleplaying game: a game in which the players are rewarded for making choices that are consistent with the character’s motivations or further the plot of the story.

roleplaying game: um jogo no qual os jogadores são recompensados por fazer escolhas que são consistentes com as motivações do personagem ou avançam o plot da história.

Eu gostaria de tornar essa definição mais sintética:

roleplaying game: um jogo que é um meio para uma narrativa.

Como eu transformei aquela definição nessa? Ora, se os jogadores são recompensados não por fazer escolhas estratégicas (como na maioria dos jogos, em que aquele que faz as escolhas mais estratégicas, e aquele que tem mais sorte, é recompensado com a vitória), mas por fazer escolhas narrativas (pois aquele que faz as escolhas em consonância com a narrativa é recompensado com a participação numa narrativa interessante e divertida), então RPG é um jogo que é um meio para uma narrativa.

Acho que muitos concordariam com essa definição, mas diriam que D&D se encaixa perfeitamente nela. Como isso é possível? Ora, pois não há concordância quanto ao significado do termo “narrativa”, nem quanto ao que significa um jogo ser um meio para uma narrativa. Eu tentarei, portanto, apresentar diferentes formas de se jogar RPG, diferentes sentidos da palavra “narrativa” (no contexto dos RPGs) e diferentes interpretações de como um jogo pode ser um meio para uma narrativa.

Eu não pretendo (nem poderia pretender) abranger todas as possibilidades, mas quero mostrar, a partir das formas mais comuns de se jogar RPG, que muitas formas diferentes podem se encaixar em uma definição de RPG. Uma destas formas será a forma que John Wick prefere, outra será a forma que os jogadores das primeiras edições de D&D preferem, e todas elas serão RPG.

1: a narrativa emergente

Nessa forma de jogar, as pré-narrativas (ou seja, as características e os backgrounds dos personagens dos jogadores, onde a aventura se passa, quem são os personagens do narrador, etc.) são determinadas de forma altamente aleatória. Os jogadores rolam dados para criar seus personagens, o narrador rola dados e confere tabelas para determinar os monstros e os tesouros da masmorra, etc. A narrativa também é muito determinada por elementos aleatórios, mas a estratégia dos jogadores e a criatividade do narrador também têm papel importante. Todos os envolvidos (jogadores e narrador) têm que responder ao que o jogo os apresenta, através de suas regras, e a partir daí criar a narrativa que, portanto, emerge do jogo, de forma imprevisível, sem muito controle por parte dos jogadores e do narrador. Essa forma de jogar exige muito de todos os envolvidos, mas também os recompensa com uma narrativa cheia de surpresas. As primeiras edições de D&D e os jogos da renascença old school favorecem esse tipo de jogo.

2: a narrativa guiada

Nessa forma de jogar, as pré-narrativas são criadas pelos jogadores (no que diz respeito aos seus personagens) e pelo narrador (ou são adaptadas por ele a partir de pré-narrativas presentes em um módulo ou aventura pronta), com menos aleatoriedade. A narrativa têm elementos de aleatoriedade, mas esses são menores, e o mestre pode descartar a aleatoriedade a favor da narrativa por ele criada (com o uso de rolagens secretas). Os jogadores têm que responder ao que o narrador os apresenta, interagindo com uma narrativa parcialmente estabelecida. Essa forma de jogar permite que os jogadores tomem parte de uma história mais elaborada, em um ambiente mais coerente, mas também envolve um certo grau de railroading, ou seja, os jogadores não têm tanta liberdade, uma vez que seus personagens têm que permanecer nos limites da narrativa criada pelo narrador.

3: a narrativa compartilhada

Nessa forma de jogar, as pré-narrativas são criadas pelos jogadores (no que diz respeito aos seus personagens) e pelo narrador (mas em grau muito menor do que na narrativa guiada, em geral apenas no que diz respeito aos personagens do narrador). A narrativa têm elementos de aleatoriedade, mas todos os participantes têm o mesmo poder de determinar o que ocorre e como ocorre. Todos têm que responder ao que os demais apresentam, e a narrativa vai se construindo nessa interação. Essa forma de jogar possibilita a criação de uma história de forma livre e compartilhada, mas é difícil e pode gerar narrativas incoerentes. Muitos jogos têm buscado esse caminho, com mecânicas que fazem referência à narrativa, e não a outras mecânicas, aproximando mais o jogo da narrativa para qual ele é meio.

Eu poderia incluir também uma forma de jogar mais simples, em que a narrativa é apenas o resultado de um jogo em que as decisões tomadas levam em conta os papéis conceituais interpretados por jogadores e narradores (como “mago”, “clérigo”, “dragão”, “donzela indefesa”, etc.). A narrativa nesse tipo de jogo é mais superficial, mas pode emergir de muitos tipos de jogos.

Concluindo, eu não acho que John Wick quis dizer que sua forma de ver o jogo é melhor que a dos outros, mas quis chamar atenção para uma forma de jogar que ainda não é muito conhecida, e que pode ser o que muita gente procura nos RPGs, mas acaba não encontrando. Acho que ele quis chamar as pessoas para tentarem uma forma de jogar que pode ser mais divertida para elas, e não que ele quis apenas dizer que sua forma era mais divertida que as outras. Acho que todos deveriam experimentar formas diferentes de jogar, e podem acabar tendo diversão com todas elas, tornando esse jogo que já é tão especial numa experiência ainda mais interessante.

#RPGaDay – quarta semana

#RPGaDay 26:RPG favorito que ninguém mais quer jogar: Pokéthulhu! É também um jogo cuja versão brasileira eu gostaria de ter.

 

#RPGaDay 26:ficha de personagem mais legal: a primeira ficha de personagem que eu mesmo fiz, para O Senhor dos Aneis RPG. Eu não tinha computador na época, então fiz ela toda à mão, algo que surpreendeu muita gente, graças à minha paciência para escrever com letras pequenas e desenhar detalhes.

 

#RPGaDay 27: jogo do qual eu gostaria de ver uma nova edição: eu gostaria de um dia, ver uma edição de 3D&T que desamarrasse o jogo de Tormenta e de suas influências diretas, que eliminasse todos os desenhos de figuras femininas com seios grandes e que fizesse jus ao potencial abstrato do jogo, talvez escrita por Bruno Schlatter, que inclusive tem um texto muito interessante sobre 3D&T, o BD&T.

 

#RPGaDay 28: jogo mais assustador que já joguei: Call of Chtuhlu. Quase todo mundo terminou morto ou louco, confirmando as teorias.

 

#RPGaDay 29: encontro mais memorável: pra mim, foi quando eu coloquei Kuchiki Byakuya, do anime Bleach, contra os personagens dos jogadores no desafio de Nimb na Libertação de Valkaria.

 

#RPGaDay 30: RPG mais raro que eu possuo: a caixa preta número 10 da primeira edição de Old Dragon.

 

#RPGaDay 31: RPG favorito de todos os tempos: Dungeons & Dragons. Mas eu tenho que me explicar: eu não gosto muito de nenhuma das edições de D&D, e se há alguma edição interessante é a primeira e, talvez, a segunda. Mas esse é o primeiro RPG, e seu conceito é maior que qualquer uma de suas edições. Afinal, qualquer jogo que tente emular ou se inspire nas primeiras edições de D&D é D&D; qualquer jogo que use as regras da terceira edição, o sistema d20, mesmo que possua uma ambientação totalmente diferente, é D&D; qualquer jogo que se inspire em seus conceitos, raças, classes, paradigmas, etc., é D&D; qualquer jogo em que personagens se aventurem, enfrentem inimigos, conquistem tesouros e cresçam em poder é D&D; Praticamente qualquer RPG é D&D; Vampiro: a Máscara, geralmente, é D&DWorld of Warcraft é D&D; Toda uma mitologia, todo um paradigma de jogo é D&D. Não há como negar nosso ancestrais.