#RPGaDay 6: RPG favorito que nunca consegui jogar

Eu mestrei relativamente pouco, e joguei menos ainda, pois comecei a jogar RPG tarde e, depois que saí da cidade em que cresci, não consegui formar outro grupo. Acho que não jogar RPG o tanto que eu queria é uma das minhas maiores frustrações. Então, fica difícil escrever sobre o tema de hoje, não por falta de assunto, mas por excesso! São tantos os RPGs que eu gosto e que nunca pude jogar, que nem sei por onde começar.

Além disso, fica difícil dizer que um jogo é meu favorito se eu nunca joguei ele. Afinal, a gente nunca sabe se vai ser divertido até jogar. Mas eu resolvi escolher Blood & Honor para o post de hoje, por muitos motivos.

Em primeiro lugar, a versão brasileira do jogo é linda. Eu tenho a caixa de luxo, e não me arrependo de ter gastado o que gastei nela. Seu único problema é a tradução e a revisão, mas nada que atrapalhe o jogo.

Em segundo lugar, John Wick é um de meus autores favoritos. Seu estilo é único: ele não se preocupa muito com equilíbrio ou mesmo consistência, mas seus jogos são elegantes e inovadores, e sua abordagem narrativa é fantástica.

Em terceiro lugar, apesar de usar uma mecânica que eu não gosto muito por seus problemas matemáticos (pilhas de dados), o sistema narrativo de B&H (tire pelo menos 10, use dados como apostas para dar mais detalhes à narrativa) é muito bonito e parece funcionar muito bem. Esse sistema é explorado de muitas maneiras, de modo a oferecer  muitas opções e tornando o jogo inesgotável, o que é muito importante para um jogo mais voltado para campanhas (o que não é o caso de outros jogos de John Wick – por exemplo, Shotgun Diaries).

Por fim, eu amo samurais. A ideia de guerreiros habilidosos e mortais, mas ao mesmo tempo pensadores e poetas, me encanta. Eu tenho até um jogo envolvendo samurais, embora noutra roupagem – O Caminho do Pistoleiro – e uma de suas inspirações é justamente Blood & Honor.

Esse é o jogo que eu mais gostaria de poder jogar, mas sei que isso é quase impossível. Precisaria de muita dedicação por parte dos jogadores, tempo para uma campanha bem jogada… Mas quem sabe, um dia!

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Apresentando – O Caminho do Pistoleiro

O Caminho do Pistoleiro ou O Livro dos Seis Tiros é o primeiro lançamento do selo Tragos Games. Em 41 páginas em preto e branco você encontrará uma interessante mistura entre os samurais do Japão feudal e os pistoleiros do velho oeste, num RPG com regras simples e elegantes.

O título é inspirado no Bushido (ou Caminho do Guerreiro) dos samurais e em O Livro dos Cinco Anéis, de Miyamoto Musashi, o maior samurai que já existiu (embora na verdade fosse um ronin). Isso porque parte do livro (em itálico) tem a forma de um código de conduta escrito por um pistoleiro desconhecido.

A ambientação é um velho oeste fictício, explorado por trabalhadores em busca de uma vida digna. Eles encontram um vale habitado por nativos sábios e guerreiros, que louvavam os espíritos e os animais sagrados – o cavalo, o coiote, o escorpião, o falcão, o jabuti e a serpente.

Os nativos e os colonos tiveram um contato pacífico, e surgiu assim um povo mestiço. Para manter a lei, os patriarcas das famílias de mestiços empregavam pistoleiros, mas o excesso de homens armados e a falta de regras ameaçou instalar o caos nos territórios mestiços.

É aí que um pistoleiro desconhecido escreve o Caminho, que resgata a tradição dos antigos guerreiros nativos, marcados a ferro com o símbolo de um animal sagrado e seguidores de um rígido código de conduta.

Assim, para criar um personagem em O Caminho do Pistoleiro, basta escolher uma marca e um dever – esta última mecânica inspirada nos Giris de Blood & Honor (ótimo RPG de samurais que pode ser adquirido aqui). Os deveres são o Guarda-Costas, o Xerife, o Matador, o Porta-Voz, o Pioneiro e o Xamã.

As regras de O Caminho do Pistoleiro usam rolagens de dois dados de seis faces – um dado de risco e um dado de objetivo – mecânica esta inspirada nas regras de GHOST/ECHO (que pode ser baixado gratuitamente aqui).

Por exemplo, ao duelar com um pistoleiro controlado pelo narrador, o pistoleiro pode ou não alcançar seu objetivo e pode ou não ser colocado em risco, ou seja, pode balear ou não seu oponente e pode ser baleado ou não pelo seu oponente.

As regras trazem ainda a mecânica de pontos de honra, que incentivam os jogadores a interpretar seus pistoleiros de acordo com a honra e com o Caminho. Como não há atributos, perícias e similares, a evolução dos personagens fica a cargo da mecânica de honrarias e cicatrizes.

Você pode adquirir o arquivo digital de O Caminho do Pistoleiro por apenas cinco pratas, clicando aqui.

Num próximo post falaremos mais aprofundadamente sobre o cenário de O Caminho do Pistoleiro e sobre como conduzir uma campanha nesse cenário.