Tractatus Ludico-Narrativus, Proposição 7

7. O objetivo de um jogo narrativo é a diversão.

7.1. O esforço de todos os participantes do jogo narrativo é necessário para que uma narrativa interessante e divertida seja criada. Os jogadores precisam estar comprometidos com a criação compartilhada de uma história, precisam dedicar-se na interpretação de seus personagens e na imersão na ambientação, e precisam confiar uns nos outros e no narrador.

7.2. Porém, exige-se do narrador um esforço maior, uma vez que ele detém o controle narrativo boa parte do tempo, e que atua também como árbitro do jogo.

7.2.1. No que diz respeito à criação da narrativa, o narrador é um guia, um jogador com mais conhecimentos, cujo principal objetivo é garantir que a narrativa permaneça avançando e que todos os personagens participem dela como protagonistas. O narrador precisa construir uma ambientação rica na qual os jogadores possam imergir, precisa interpretar seus personagens de forma a incentivar a interpretação por parte dos jogadores, precisa reagir às ações dos personagens dos jogadores e improvisar de modo que a narrativa seja dinâmica e surpreendente.

7.2.2. No que diz respeito às regras do jogo, o narrador é um árbitro, um jogador neutro, cujo principal objetivo é garantir que o jogo seja equilibrado e justo. Arbitrar acerca das ações possíveis dos conceitos e de suas inadequações é uma das atribuições mais importantes do juiz do jogo, bem como determinar o que ocorre em situações não previstas nas regras, e também alterar as regras ou criar regras novas, sempre buscando o equilíbrio, de forma que todos os personagens dos jogadores possam ter a mesma influência na narrativa.

7.2.2.1. No entanto, uma vez que o narrador precisa dar prioridade à narrativa, o mundo que ele constrói e os personagens que ele cria não precisam seguir as regras à risca. Ele pode esconder suas rolagens de dados, alterando-as ou mesmo ignorando-as quando preciso for para que a narrativa flua de forma divertida para todos. Deve ficar claro, porém, tanto para o narrador quanto para os jogadores, que o narrador não joga contra os jogadores, quebrando as regras apenas pelo bem da narrativa.