O dia do orgulho nerd e um balanço da Tragos Games

Nesse dia do orgulho nerd eu gostaria de trazer algumas notícias sobre o andamento dos projetos da Tragos Games.

Gamma Dragon: o capítulo 1 – Os Sobreviventes – e o capítulo 2 – As Aventuras – já estão prontos. Falta apenas o capítulo 3 – O Mestre. Quando todo o texto estiver finalizado, verei o que será do livro. Talvez ocorra um financiamento coletivo, mas é certo que ele sairá em pdf – talvez de graça, talvez não.

Abismos & Aberrrações: meu projeto mais antigo e instável, atualmente penso em fazer dele um cenário para Dungeons & Dragons (5ª edição). Porém, para fazê-lo eu precisarei pesquisar a filosofia de Nietzsche tão a fundo que ele merecia se tornar uma tese de doutorado. Como isso é improvável, ele deve demorar para sair da escuridão.

Tragoedia 2ª edição: esse ainda é uma incógnita para mim. Reformular o sistema ou adaptar para D&D? A segunda opção parece bem difícil, então eu devo ficar com a primeira. Porém, o mais importante é expandir e aprofundar o cenário. Quem sabe, nas férias.

Outros jogos: eu quero muito fazer mais jogos freeform, revitalizar alguns projetos antigos, como o Músicka, e estou pensando se levo a cabo o Dragonjammer ou se apenas publico algumas coisas sobre como jogar Spelljammer na 5ª edição.  Também queria escrever mais sobre os jogos que eu gosto – D&D, Blood & Honor, Risus, talvez até 3D&T.

Além disso, o blog passou por uma pequena reorganização, com novas categorias e tags.

Por fim, publicarei aqui uma espécie de poema que eu escrevi para esse dia do orgulho nerd.

*   *   *

Sim, eu sou um nerd.
Sim, eu gosto de histórias sobre cavaleiros e magos,
sobre espaçonaves e dragões,
sobre herois e vilões.

Sim, eu gosto de me sentar com meus amigos,
rolar dados e dar risadas
e criar histórias de aventura.

Sim, eu gosto de ler, de ver, de imaginar
Homens capazes de voar, mulheres capazes de lutar.

Sim, eu gosto de música, cinema, literatura,
mas também de quadrinhos, jogos, brinquedos.

Dou valor à toda arte,
mas não quero só ver e ouvir,
quero fazer e criar.

E eu também dou valor à ciência e à filosofia,
gosto de aprender, de entender, de saber,
não me apego a superstições e preconceitos,
nem a fórmulas prontas ou teorias dogmáticas.

Eu quero saber a resposta
à pergunta da vida, do universo e tudo mais.

Quem disse que eu não gosto de esportes?
Artes marciais, futebol, atletismo,
posso não ser um craque, mas tenho prazer nisso tudo.

Tudo bem, eu não sou perfeito.

Não sei dançar, não sei paquerar,
mas não deixo de tentar.
E se tento o faço com todo o meu ser,
mesmo que ele seja tímido, frágil, carente,
e todo mundo me veja como sou por um instante.

Sim, eu sou isso tudo,
e quero ser cada vez mais.

Acho que ser nerd é isso,
é ver maravilhado, com olhos de criança,
tudo o que foi, o que é e o que será.

É não se deixar convencer, conformar, consumir,
não se deixar abater, apequenar, anular,
mesmo que o mundo não seja essa maravilha toda,
mesmo que as histórias da vida “real”
não sejam sempre heroicas e fantásticas,
mesmo que as garotas (ou garotos)
de quem gosto não me queiram,
mesmo que eu, no fim, não seja um grande gênio
nem da ficção, nem da ciência, nem da música, nem da filosofia
e tudo pra mim não passe de um indecifrável 42.

* * *

Feliz dia do orgulho nerd!

Gamma Dragon – o segundo playtest

Ontem rolou o segundo playtest de Gamma Dragon e, mais uma vez, foi uma sessão extremamente divertida. No primeiro playtest, pude verificar que as mutações estavam pouco diversificadas. Então a principal mudança no sistema de lá pra cá foi a adição de diversas mutações. O sistema de equipamentos também mudou, aumentando as possibilidades.

Três jogadores participaram da sessão, e novamente utilizamos o método gama de criação de personagens, totalmente aleatório. Obtivemos então: um humano/animal (mamífero) cujas principais mutações eram braços extras e ataque de toque (elétrico), e o jogador interpretou os resultados criando um centauro de quatro braços que portava um facão; um humano/inseto (aranha) cujas principais mutações eram veneno, duas cabeças e metamorfose, e o jogador interpretou os resultados criando um homem-aranha estilo Venom com olhos atrás da cabeça; e uma inseto/animal (mamífero) cujas principais mutações eram atração, escalador e escavador, e a jogadora interpretou os resultados criando uma macaca com pernas de grilo chamada “macaca louca”.

Após a criação dos personagens, eu comecei a narração, os colocando como membros de uma mesma família de uma tribo de sobreviventes. Eu resgatei características da tribo do primeiro playtest (o líder Rukhul, a família Fofa e o NPC Zé Feioso), mas a fiz bem mais avançada. A tribo possuía um santuário que continha um altar do trovão, um receptáculo de discos de luz e um portal para o passado (quer dizer, um gerador, um aparelho de dvd e uma tv de plasma). Dois cachorros-ciborgue exploradores encontraram uma caixa contendo dois discos de luz, mas com espaço para três. A tribo assiste aos discos de luz (um deles tem, na capa, uma paisagem desértica e um número IV, e o outro tem uma paisagem ártica e um número V), que continham nada mais nada menos que os episódios IV e V de Star Wars (para essa aventura eu me inspirei nesse post no reddit). Todos na tribo quiseram saber como terminava essa história sobre o passado, que todos (exceto o Zé Feioso) acreditavam ser real.

Os personagens dos jogadores se candidataram para buscar o terceiro disco, e o Zé Feioso foi com eles. Eles rumaram para as ruínas do sul, e lá encontraram um pendrive em forma de Chewbacca, um modem wi-fi e um notebook (tudo isso foi rolado aleatoriamente!). Eles não conseguiram muita informação com estes itens agora, mas eles foram úteis mais tarde. Mais ao sul, havia um deserto, e eles foram investigar. Lá vivia uma tribo de homens-cobra. Uma tentativa falha de contato pacífico (por dificuldades de comunicação) levou a um combate contra o líder da tribo (que tinha uma lança conectada a uma pistola laser) e os demais homens-cobra, que estavam desarmados porque a macaca louca roubou suas lanças. O centauro eletrificante foi o principal responsável pela vitória, e os personagens conseguiram sair da tribo com um monte de DVDs, que eles os homens-cobra usavam como decoração. Porém, nenhum deles era o episódio VI de SW.

A busca continuou, e mais ao sul eles chegaram a um território gelado. Lá eles acabaram pegando no sono ao descansar e acordaram presos de cabeça para baixo numa caverna, como aconteceu com Luke em Hoth. Um yeti apareceu e houve um novo combate, finalizado pelo Zé Feioso, que não havia sido capturado. Continuando seu caminho, os personagens chegaram a uma ruína antiga onde havia uma alta torre com um disco no topo, que já alcançava as nuvens. No interior da torre eles enfrentaram uma aranha robótica, que por uma falha crítica foi desativada por falta de energia. No topo, eles encontraram uma tribo cujo líder se vestia como Darth Vader. Eles conseguiram se comunicar, e puderam assistir ao episódio VI (aquela tribo havia assistido toda a trilogia antiga, por isso eles “louvavam” Vader).

Antes que pudesse partir com uma cópia feita no notebook, três homens encapuzados em motos voadoras chegaram e inquiriram o NPC vestido de Vader onde estava o Imperador (eles eram membros de uma tribo que havia assistido apenas os episódios I, II e III, e por isso acreditavam que o Império ainda existia e queriam fazer parte dele). Vader os atacou (ele de fato tinha poderes de telecinésia!) e os personagens o ajudaram. Os invasores foram derrotados (principalmente atropelados pela macaca louca numa das motos), e os personagens puderam retornar com o sexto episódio para casa. Que aventuras os aguardarão quanto eles souberem da existência dos episódios VII, VIII e IX? Bem, esse foi um resumo da aventura, na qual muito mais coisa aconteceu. O playtest me deixou bem feliz, e também agradou os jogadores. Espero poder trazer mais notícias sobre esse jogo em breve!