Em Busca pela Taça da Imortalidade – Campanha para Tragoedia – Parte 2

Essa aventura continua a campanha na qual os Herois buscam a Taça da Imortalidade. Leia a parte 1 aqui.

Alerta!

Se você for um jogador de Tragoedia, ou se você pretende jogar Tragoedia em breve, não leia esse post, ou ele pode estragar sua diversão! Ele foi escrito para aqueles que narram ou pretendem narrar Tragoedia.

Introdução

Os Herois vão para Súnai, acompanhados do Imortal Adrastos ou a pedido dele, a fim de entregar o Kráter Transbordante. Adrastos disse apenas que buscava o artefato para entregá-lo à sua família, mas não revelou que, na verdade, era filho do Rei Apolodorus.

Em Súnai

Os Herois são recebidos com honras quando revelam portar o Kráter. O Rei os oferecerá um banquete e um brinde com o vinho do Kráter (que lhes dará +1 em For e Car).

O Rei pedirá aos Herois que ajudem a buscar o Estandarte do Monte Solar (Livro Básico, p. 97), um importante artefato Súno. Tudo o que os Súnos sabem é que o artefato se perdeu numa batalha em um campo ao norte de Súnai, durante a guerra entre Imortais e Monstros que deu fim à Terceira Era, há mais de 300 anos.

A verdade

O Estandarte encontra-se num antigo forte Súno no meio do campo de batalha, que hoje abriga alguns Gigas (Livro Básico, p. 110). O campo ainda é palco de batalhas, desta vez entre os exércitos de duas pequenas cidades em guerra: Kartai , a oeste, e Megai, a leste. Ambas ficam a cerca de 25 km do forte. Ambas possuem cerca de 1.500 habitantes e exércitos de 100 homens (duas tropas com 30 homens de infantaria, 10 de arquearia e 10 de cavalaria; os capitães de cada tropa são soldados de cavalaria de elite).

Kartai é uma tirania. O Rei – e General – Kertenos (um guerreiro; na minha mesa, um Protetor) tomou o poder com a ajuda do exército, dissolvendo o Senado. O povo da cidade está divido entre o apoio ao tirano e ao senado, cujos membros estão presos.

Megai é uma democracia. O Rei Verinos foi deposto ao tentar dar um golpe, inspirado pelo exemplo de Kartai. O Senado comanda a cidade, e dá as ordens ao General Prostinos (na minha mesa, também um Protetor), uma vez que, em Megai, o exército apoiou o Senado.

(Cabe ao Corifeu, dependendo de como a narrativa se desenvolver, determinar mais detalhes de cada cidade. Na minha mesa, os Senadores de Megai eram corruptos, e um deles agia como um tirano, enquanto que o Rei de Kartai era justo e havia assumido o poder por causa da corrupção dos Senadores.)

As duas cidades estão em guerra por motivos políticos; ambas discordam da forma de governo da outra.

O forte

O forte é atualmente ocupado por Gigas (quantidade e dados de vida determinados pelo Corifeu, de acordo com o nível da campanha). O estandarte está no meio de outros tesouros menos valiosos, mas ainda assim poderosos (como armas de ouro obra-prima dos Súnos). Os tesouros estão no meio da sujeira, e o Estandarte está sujo e rasgado, precisando ser alvo da Intervenção Divina Purificar lançada por um sacerdote ou artista de Sún para ser consertado. Enquanto não for purificado, não terá efeito.

O forte está bem conservado, e por isso está sendo alvo de disputa entre Kartai e Megai. Ambas as cidades vêm tentando dominar o forte desde que a guerra começou, a fim de obter vantagem no conflito. Os Herois que tentem se aproximar do forte buscando uma pista do Estandarte acabarão se envolvendo no conflito e terão de escolher um lado.

(Na minha mesa, os Herois ajudaram os soldados de Megai a dominar o forte e encontraram o Estandarte. Eles chegaram em Megai muito feridos e, muito fracos, não puderam evitar que o exército de Megai usasse o Estandarte em batalha. Porém, ele não funcionou e Megai foi derrotada).

De volta à Súnai

Caso tragam o Estandarte para o Rei Apolodorus, ele os recompensará com ouro (equivalente aos perigos enfrentados, e mais um bônus, determinado pelo Corifeu) e com a eterna hospitalidade em Súnai. Ele poderá intervir no conflito entre as duas cidades caso saiba que alguma delas tentou fazer uso do Estandarte (como ocorreu na minha mesa).

Caso os Herois tenham pedido informações ao Rei acerca da Taça da Imortalidade, ele dirá que seus sábios têm a informação de que a Rainha de Nemeai sabe algo sobre a Taça.

Na próxima aventura, a busca pela Taça da Imortalidade continua, e leva os Herois à cidade de Nemeai.

Anúncios

Tornando os combates de Tragoedia mais rápidos

Nesse post trago uma regra opcional que pode tornar os combates de Tragoedia mais rápidos . O que me inspirou a fazer essa regra foi esse post do Birosca Nerd, mas essa é uma questão que sempre me preocupou. Essa regra pode ser facilmente usada também em outros jogos, como o Old Dragon e o Space Dragon.

Nessa regra o combate é tornado mais abstrato, de forma semelhante à regra de combate entre exércitos de Tragoedia. Assim, quando um personagem faz um ataque, na realidade eles está tentando fazer quatro ataques. O uso dessa regra deve ser autorizado pelo Corifeu e deve valer para todos os personagens envolvidos no combate, e durante todo o combate.

O ataque é rolado normalmente, mas deve-se calcular a diferença entre o resultado final da rolagem e a CA do alvo. Caso o ataque seja igual a CA ou até 4 pontos maior, dois ataques acertam o alvo, e o dano deve ser rolado duas vezes (não role uma vez e dobre o resultado; por exemplo, se o dano é de 1d8+2, role 2d8+4). Caso o ataque seja de 5 a 9 pontos maior que a CA, três ataques acertam o alvo, e o dano deve ser rolado três vezes. Caso o ataque seja 10 ou mais pontos maior que a CA, quatro ataques acertam o alvo, e o dano deve ser rolado quatro vezes. Um ataque acerta o alvo caso o resultado seja de 1 a 4 pontos menor que a CA. Caso o ataque seja 5 ou mais pontos menor que a CA, nenhum ataque acerta o alvo.

Caso o dano de dois ou mais ataques seja suficiente para matar o alvo e o alvo seja o próximo na ordem de iniciativa, o alvo pode realizar seu ataque (caso essa fosse sua ação), mas com uma penalidade de -5. Ou seja, caso um Heroi mate um Monstro com três ataques bem-sucedidos e o Monstro fosse atacá-lo logo depois, o Monstro ainda tem a chance de acertar dois ataques no Heroi.

Para que essa regra funcione, todos os ataques devem ser desferidos contra o mesmo alvo, ou contra alvos com a mesma CA, sendo ela portanto especialmente efetiva contra grupos de inimigos iguais ou contra um inimigo muito poderoso. Outros detalhes podem ser definidos pelo Corifeu dada a situação.

Em Busca da Taça da Imortalidade – Campanha para Tragoedia – Parte 1

Recentemente comecei a narrar uma campanha de Tragoedia, e postarei as aventuras aqui para que vocês possam usá-las. Porém, para que cada Corifeu possa adaptar as aventuras às necessidades e especificidades de seu grupo, não determinarei a dificuldade dos desafios, mas apenas sua natureza. Assim, as aventuras podem ser narradas a grupos de qualquer nível.

Alerta!

Se você for um jogador de Tragoedia, ou se você pretende jogar Tragoedia em breve, não leia esse post, ou ele pode estragar sua diversão! Ele foi escrito para aqueles que narram ou pretendem narrar Tragoedia.

Introdução

A campanha começa quando os Herois decidem investigar um rumor de que o artefato lendário conhecido como a Taça da Imortalidade (Livro Básico, p. 98) estaria em uma ruína próxima à cidade de Tebai. Segundo os boatos, o artefato encontra-se em poder de um Demônio, embora a natureza exata do Monstro mude a cada narrativa.

A verdade por trás dos boatos

Um cultista de Leto (Livro Básico, p. 99) que agia em Tebai teve seu culto desbaratado por Herois (talvez os próprios Herois dos jogadores, caso essa aventura dê continuidade a uma campanha já iniciada) e quase foi morto, mas conseguiu fugir. Ele encontrou a ruína de uma antiga fortificação dos Súnos ao norte da cidade e, com a ajuda de um Demônio, ergueu dentro dela um labirinto, a encheu de Monstros e espalhou o boato de que ela abrigava a Taça da Imortalidade. Ele espera atrair muitos Herois, matá-los e, assim, reerguer seu culto sem Herois por perto para ameaçá-lo. Um plano arriscado!

Em Tebai

Na cidade de Tebai, os Herois irão procurar informações sobre a suposta ruína ao norte da cidade e o artefato que ela abrigaria. Em sua busca, eles poderão encontrar um grupo de mercenários (soldados de infantaria e arquearia, ou Herois menos poderosos) se preparando para ir à ruína, que fica cerca de 25 km ao norte. Eles foram contratados por um rico ferreiro que deseja a Taça da Imortalidade para si, mas não tem a força ou a coragem necessárias para buscá-la ele mesmo.

O Rei de Tebai, Antístenes, é outro que conhece a localização das ruínas, mas ele não dará nenhuma informação, nem acredita que ela possa realmente abrigar a Taça. Ele não quer que a cidade seja palco de mais tragédias que uma tal busca possa fomentar, mas também não a proíbe porque acredita na liberdade.

Na ágora (local onde os cidadãos debatem acerca de assuntos relevantes para a cidade), os Herois poderão ver um filósofo maltrapilho discursando contra a busca pela Imortalidade. Ele diz que ninguém deve ir às ruínas (cuja localização ele também conhece), e que ninguém deve buscar desafiar o Destino. Ele é um existencialista (Livro Básico, p. 101), mas diz ser um estoicista caso seja questionado, e se chama Satrenos.

Rumo às ruínas

No caminho para as ruínas, os Herois encontram um jovem Imortal, um Paladino Súno em busca de um artefato que pertenceria à sua família e que estaria nas ruínas. Ele não sabe exatamente do que se trata, mas sabe apenas seu nome: o Kráter Transbordante. O jovem Súno chama-se Adrastos, e diz ter saído de Súnai escondido, sem a permissão de sua família, para buscar seu tesouro ancestral.

Pouco antes de alcançar as ruínas, o grupo é emboscado por Satrenos e seus seguidores (soldados de infantaria e arquearia e talvez outros existencialistas). Satrenos quer impedir a qualquer custo que mais Herois busquem a Taça. Ele não lutará até a morte, porém, pedindo clemência caso se veja derrotado.

Nas ruínas

Os Herois poderão perceber que apenas as colunas e parte das paredes são originais, e que o restante foi erguido recentemente. O interior do antigo forte é um labirinto, mas pouco complexo – para encontrar o caminho certo, basta obter 1 e 2 em 1d6. Caso o grupo vá pelo caminho certo, encontra um evento fixo. Caso vá pelo caminho errado, encontra um evento aleatório. Depois de dois erros seguidos, o grupo encontra automaticamente o caminho correto.

Eventos aleatórios (1d6) 1, 2, 3: Monstros; 4, 5: armadilha; 6: Herois ou mercenários em busca da Taça.

Eventos fixos (o Corifeu pode criar mais eventos fixos caso veja necessidade)

1: O grupo encontra com os mercenários contratados pelo ferreiro lutando contra Monstros e à beira da derrota. Caso o grupo já esteja acompanhando os mercenários, eles encontram outros mercenários que o ferreiro enviou anteriormente.

2: O grupo se depara com outro grupo de Herois de poder igual ou um pouco inferior, e só há um caminho a seguir.

3: O Imortal encontra uma porta secreta (caso ele não esteja junto com o grupo, eles se deparam com ele logo depois de ele encontrar a porta) e, além dela, uma sala em que um Monstro poderoso repousa sobre esqueletos adornados com joias douradas. Ele reconhece, pelas joias e pela altura dos esqueletos, que se tratam de Imortais, filhos de Sún, e decide matar a besta e recolher os restos mortais de seus ancestrais.

4: Este evento fixo deve ser o último da ruína. Numa sala grande encontram-se o cultista de Leto, que pode ser um Tétrico (Livro Básico, p. 102) caso o grupo seja poderoso, o Demônio (cabe ao Corifeu determinar sua natureza exata; na minha mesa, tratava-se de um Orkus) e, num altar no fundo da sala, uma grande taça rasa dourada. O cultista e o Demônio atacam o grupo.

A taça dourada no altar não é a Taça da Imortalidade, mas o Kráter Transbordante, um dos tesouros perdidos dos Súnos (assim como o Estandarte do Monte Solar). O cultista acreditava tratar-se apenas de uma taça dourada normal, e a colocou lá para frustrar os Herois caso fosse derrotado.

O Kráter Transbordante – Artefato Menor

Um kráter é uma espécie de taça muito grande, larga e rasa, na qual o vinho é misturado à água antes de ser servido. O vinho que for depositado no Kráter Transbordante até transbordar conferirá +1 em Força e Carisma permanentemente àquele que o beber. Adrastos não conhece os efeitos do Kráter e, caso ele esteja vivo, não deixará ninguém usá-lo, embora possa presentear Herois que o tenham ajudado com algumas das joias encontradas com os esqueletos.

Como gancho para a próxima aventura, Adrastos pedirá que os Herois o acompanhem até Súnai (na minha mesa, Adrastos morreu, mas pediu para os Herois entregarem o Kráter por ele, então essa também é uma possibilidade).

Na próxima aventura: a busca pela Taça da Imortalidade é interrompida por outra busca, pelo Estandarte do Monte Solar!

Tragoedia RPG – O Livro do Corifeu

Neste post trago a vocês o primeiro suplemento de Tragoedia – o Livro do Corifeu!

capa final corifeu

Mas quem diabos é o corifeu? Na tragédias gregas, o corifeu é o lider do coro. Em Tragoedia, o Corifeu é o narrador, também conhecido como mestre, dentre muitos outros nomes (praticamente cada RPG chama seu narrador de um nome!). 

O Livro do Corifeu é dividido em sete capítulos: o primeiro capítulo, Aventuras, traz diversas tabelas aleatórias que auxiliarão o Corifeu a criar o conflito que servirá de base a uma aventura.

O capítulo 2, Competições, traz mais detalhes sobre competições e sobre provas para Artistas, Filósofos e Guerreiros.

O capítulo 3, Fortificações, Labirintos e Ruínas, traz tabelas aleatórias com as quais o Corifeu pode criar uma ruína ou uma masmorra natural de forma rápida e imprevisível.

O capítulo 4, Ilhas, traz informações e tabelas aleatórias acerca das ilhas da Élada, nas quais vivem eladanos e estrangeiros, e que podem apresentar ótimas oportunidades de aventura.

O capítulo 5, Monstros, traz tabelas aleatórias que possibilitarão ao Corifeu a criar um monstro rapidamente.

O capítulo 6, Personagens, também contém tabelas aleatórias, desta vez destinadas à criação de personagens não-jogadores.

O capítulo 7, Imortais, traz as informações necessárias para a criação de Imortais (pertencentes às raças dos filhos dos deuses, ou mortais que obtiveram a Imortalidade, caso isso seja possível em sua mesa) de 21º a 30º nível.

O Livro do Corifeu tem 21 páginas e já está disponível para download gratuito.

Num próximo post, vocês conhecerão as duas versões de bolso de Tragoedia: a Versão Épica e a Versão Trágica. Aguardem!